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Copenhaga | A primeira maratona!

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Fez ontem uma semana que chegou o dia pelo qual esperei ao longo do último ano. Em Maio de 2016 comecei a preparar-me para a que ia ser a minha primeira maratona, na altura tudo apontava para Bilbao.

Uma ameaça de lesão em pleno Verão levou-me a perceber que precisava de mais tempo para me aventurar num desafio desta dimensão e sair de lá com uma boa recordação. E assim foi, Bilbao aconteceu, mas como primeira prova internacional, 21kms à noite.

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A seguir juntaram-se mais três meias em solo nacional e ao todo somaram-se 7 até ao tão esperado dia. Como nada acontece por acaso, afinal tenho um especial carinho pelo número 7, só faria sentido que o sonho se concretizasse em 2017 🎉, junto de 7 pessoas especiais!

Indo um pouco atrás, no inicio deste ano criámos o Team It’s Up to You com o objetivo de fazermos uma boa preparação para a prova “Até ao Fim da Europa”. Começamos com 7 pessoas e, neste momento somos mais de 20, a apoiarem-se diariamente para que a chama da corrida ou atividade física nunca se apague.

Para Copenhaga, segundo local escolhido para a primeira maratona, fomos 7 do Team, quatro para correr, três para apoiar e acompanhar de forma imensurável, mas a esta parte já lá vamos!

Também no inicio do ano, em Fevereiro, inscrevi-me no GFD Running, da Clinica de Fisioterapia no Desporto, para seguir o plano de treinos do coordenador técnico António Sousa, continuar a ser seguida pelo fisioterapeuta Ernesto Ferreira, intercalando massagens com a Marta e a Rute, e o acompanhamento da nutricionista e atleta Solange de Almeida Fernandes.

A par do Team e da GFD ainda contei com a preparação da fisioterapeuta Soraia Rosa Coelho ao nível do fortalecimento do pavimento pélvico, para evitar lesões do excesso de impacto dos treinos para a maratona, vividos ao longo de quatro meses, aos quais o corpo não estava habituado.

A preparação correu mais ou menos dentro do previsto, não fosse uma queda a 7 semanas da maratona (eh lá, outra vez o número 7) que me obrigou a parar de treinar durante 10 dias e a retomar os treinos com algumas mazelas que felizmente não impediram o cumprimento do objetivo.

Voltando ao “dia D”, para Copenhaga embarcámos 7 do Team It’s Up to You. Com toda a motivação e alguma tensão no ar, sobre o que comer, como hidratar (ou melhor, não desidratar), como passear sem andar muito para não cansar as pernas, e tudo o que mais me pudesse lembrar…

O último treino foi no sábado, dia anterior, à mesma hora da prova. Corremos meia hora, passámos pela zona da partida, para sentir as energias do local.

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O resto do dia foi passado com atenção ao que comíamos, bebíamos e descansávamos. Confesso que nesta parte, mesmo antes de passar a meta, ganhei a minha primeira medalha de croma more.

O dia chegou e nada mais havia a fazer senão tomar o pequeno-almoço, ir à casa de banho, colocar os géis no “cinto de corrida”, ir à casa de banho, pegar na água e verificar se levava tudo o que era suposto e ir à casa de banho, e, finalmente, sair do hotel e seguir para a linha da partida.

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O ponto de encontro foi, felizmente, muito em cima da hora. Deu apenas para fazer uns alongamentos, ir uma última vez à casa de banho, tomar o gel pré-partida, olhar à volta, tirar umas fotografias e …. partir no balão das 4h20 (duração prevista para prova).

O primeiro pensamento que tive ao olhar à minha volta foi de como era possível haver tanta gente a propor-se correr 42 kms, o segundo foi de que eu devia ser das poucas estreantes ali presentes. E, para rematar, se aquela gente toda ia conseguir, eu também conseguiria. Tive a sorte de estar sempre acompanhada por dois amigos do Team, com quem treinei e preparei-me física e mentalmente para o grande dia, já que o quarto elemento, de alcunha “Pepe Rápido”, teve de nos largar, para se ir juntar ao balão das 3h10.

Ao fim de poucos quilómetros juntou-se mais um Português, o Gonçalo, a viver em Londres e a estrear-se sozinho (achava ele) em Copenhaga.

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E lá fomos descobrir uma nova cidade, só que a correr, espetacular, com um sol maravilhoso e a receber o apoio do povo “mais feliz do mundo”, que saiu em peso à rua, para espalhar good vibes, sempre a aplaudir, a puxar por nós e a fazer-nos sentir como se estivéssemos a passar por eles com a irmã, a mulher ou melhor amigo ao nosso lado, tal eram as vibrações positivas.

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O Team e o Gonçalo foi-se mantendo sempre ao mesmo ritmo com o Sérgio a dar indicações do tempo por quilómetro e orientações de estarmos a ir mais ou menos rápido do que o previsto, a Sofia a dar um ar da sua (muita) graça com uns pezinhos de samba sempre que passávamos por uma música/ banda mais animada, e o Gonçalo a puxar pelo público, não fosse esquecerem-se o que estavam ali a fazer.

Ao quilómetro 27 tivemos a melhor das surpresas, a “Nossa” claque de bandeira de Portugal em punho, esperava-nos ansiosamente, para verem com os próprios olhos que estávamos a aguentar-nos bem. Foi o boost necessário para o que aí vinha, os últimos 15kms, dos quais 12kms nunca antes tínhamos experienciados nos treinos longos. Altura em que a parte mental comanda o corpo, para aguentar o que toda a gente diz: “a partir dos 30kms é a doer e para sofrer”.

O pensamento “isto está a ser tão bom e vai ser uma pena quando terminar” acompanhou-me ao longo de quase toda a prova (exatamente como na primeira meia maratona)! Eis senão quando ao quilómetro 38 começo a pensar que está quase, mesmo quase para chegar à meta, mas que esse “mesmo quase” ainda demora 15 minutos (na melhor das hipóteses), e que afinal 15 minutos é imenso tempo!!! Pensamentos destes criam ansiedade e ansiedade gera falta de ar, e foi o que me aconteceu. Ao longo de dois quilómetros tive que me convencer que a falta de ar era psicológica e não física, comecei a forçar a respiração por baixo das costelas para expandir o diafragma, e este exercício mental técnico foi o suficiente para voltar ao estado normal.

Ao sairmos da ponte, que nos levou à última reta até à meta, ao contrário das outras provas, que aproveito para ir buscar as últimas forças para o sprint final, mesmo depois de passarmos pela claque mais animada de toda a prova, a energia foi toda aproveitada, para observar a enchente de público que estava de um lado e do outro até meta e procurar com toda a atenção pela Nossa claque que nos esperava de lágrimas nos olhos, câmaras nas mãos e bandeira de Portugal em punho para nos passarem o testemunho!!!

E assim aconteceu em Copenhaga, corremos os últimos metros com a bandeira de Portugal nas mãos, a partilhá-la com quem corremos os 42.195ksm, a rebentar de orgulho e alegria pela superação pessoal e de todos.

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Correr é isto! É partilha, é viver momentos únicos, é superação, é adrenalina, é emoção, é fazê-lo por quem não pode, é soletrar mentalmente, durante a prova, o nome das pessoas que nos apoiaram até ali, são memórias que ficam, amizades que se criam, um orgulho imenso em nós, por sabermos que somos capazes quando acreditamos!

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Dos testemunhos enviados nos 7 dias que antecederam a maratona, destaco as seguintes mensagens que foram passando pela cabeça ao longo dos 42,195kms:

– “sente as palmas como um encorajamento e as palavras do público um redobrar da tua confiança.”

– “estás a correr porque gostas, porque é um desafio teu. Ninguém te obrigou. (..) No dia da prova só lá vais buscar a medalha”.

– “tudo faz mais sentido quando tens a sorte de partilhar esta paixão com pessoas especiais, que te apoiam e motivam.”

– “levar uma pequena bandeira e tirar para fora, para todos verem a nossa força até a chegada à meta”. O truque da bandeira foi comprovado se bem que ainda assim era uma grande bandeira J.

– “Na maratona, a dor dura algumas horas, mas a glória é eterna”

– “As primeiras (distâncias) são sempre as melhores, sem a pressão do tempo e com o único objetivo de chegar ao fim”.

Muito obrigada a todos os que se disponibilizaram e contribuíram para a preparação mental pré-prova!

Falta-me agradecer a todas as pessoas que partilharam comigo palavras de motivação, a todos os meus amigos que apesar de estranharem, respeitaram as minhas privações até ao “dia D” e chegado o momento de passar a meta, até se emocionaram! Ao Team It’s Up to You sempre presente, atento, inspirador e incansável nas suas partilhas. À minha Mãe, a única pessoa que me dá paz de espirito quando deixo os meus filhos, por saber que estão tão bem ou melhor do que quando estão comigo. À minha irmã que repetiu mais do que uma vez, “a sério, desiste se achares que não estás bem”, preocupações de irmã mais velha J. Aos meus filhos que foram o meu combustível para os primeiros 30kms, 10 para cada um, os 10 quilómetros mais mais difíceis, dos 30 aos 40, foram dedicados ao Ricardo, que gostaria de estar ali ao meu lado, se a saúde o permitisse. Os últimos 2kms foram para a minha Mãe que se os fizesse, a andar ou a corre, todos os dias ganharia anos de vida!

E assim foi em Copenhaga. Muito obrigada António, Sérgio e Sofia por todo o apoio ao longos dos últimos meses de treinos, partilhas, inseguranças e palhaçadas, Maria e Joana, pelo “following” incondicional e sempre com um sorriso emotivo no olhar. E “the last but not the least” ao Ricardo pela paciência em aturar diariamente a minha cromice, quatro meses a querer seguir um plano à risca, que envolve muito esforço e dedicação. E, por aquele abraço final, momento em que realmente senti e percebi que tinha passado a meta e superado o desafio!

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1ª Maratona | 42,195 kms

Copenhagen | 21 de Maio de 2017

Tempo Oficial | 4:26:49 | Pace: 6:19

Overall: 5884 | Gender: 1231 | Category: 196

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Correr para ser ainda mais feliz!

It’s Up to You!

Raquel

3 thoughts on “Copenhaga | A primeira maratona!”

  1. Gonçalo diz:

    Foi um prazer encontrar-vos e acompanhar-vos nesta prova! Até à próxima (maratona)! 👊

    1. Raquel Fortes diz:

      Olá Gonçalo!
      Obrigada! Nós também adorámos a companhia! Vou dando notícias sobre as próximas provas internacionais por aqui e nunca se sabe se não voltamos a cortar outra meta todos juntos! 🙂

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